auto-retrato,
1934 - Fotografia com semi solarização
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Man Ray
EUA,
Filadélfia, 1890 - França, Paris, 1976
"A
natureza não cria obras de arte. Somos nós, com a peculiar
capacidade de interpretação do cérebro humano, que
vemos arte".
Man
Ray
Man
Ray - pseudónimo de Emmanuel Rudnitzky, formado por duas pequenas
sílabas, que significam homem (man), e raio (ray) de luz ou
de sol.
Antes
de se estabelecer em Paris, onde desembarcou em 14 de Julho de 1921, Man
Ray já era uma figura de primeiro plano do Dadaísmo em Nova
Iorque. Toda a sua obra tem profundas ligações com o movimento
Dada e com o Surrealismo, tendo participado nas mais importantes exposições
destes movimentos artísticos da 1ª metade do século
XX.
Foi
um dos fotógrafos mais importantes do século XX, mas também
pintor e realizador cinematográfico. Começou a sua carreira
artística como pintor e a partir de 1914-15 depois de ter comprado
uma primeira câmara para fotografar os seus quadros, desenvolveu
uma obra fotográfica que conjugou de uma forma criativa uma grande
capacidade plástica com um enorme rigor técnico.
Nas
suas fotografias podem-se destacar várias linhas de força,
como o jogo de luz-sombra, visível em quase toda a sua obra.
(repare-se na imagem nº 4 - "Integration of shadows" de 1921,
onde man Ray cultivou conscientemente a nossa confusão óptica/mental
das formas e dos objectos e das suas respectivas sombras).
Também
nas suas séries de fotogramas, que Man Ray apelidou de "rayographs"
ou "rayograms", são visíveis imagens que preservam a ambiguidade
dos objectos expostos à luz e que incluíam a sua sombra.
A execução dos fotogramas é "automática", pois
não requerem câmara fotográfica para a sua realização,
apenas uma qualquer fonte de luz sobre formas e objectos, a sua realização
é instantânea e cada fotograma é único, pois
é impresso directamente em papel fotográfico, não
possuindo por isso película negativa.
Destaque
também para os inúmeros retratos realizados ao longo de décadas
por Man Ray de personalidades do meio artístico, artistas plásticos,
escritores, músicos e compositores, actores, etc.
Fotografou
também com especial interesse, quer a natureza quer o meio urbano,
com destaque para a sua cidade adoptiva, Paris, e o mundo da moda.
Além
de ter sido um artista com notáveis capacidades de observação
e composição, Man Ray desenvolveu um grande trabalho de laboratório,
aprofundando e desenvolvendo técnicas fotográficas como a
solarização/efeito Sabatier, os fotogramas, a exposição
múltipla e diversas técnicas originais de sensibilização
e impressão fotográficas.
Man
Ray representou a figura do artista multifacetado e vanguardista que procurou
ultrapassar as fronteiras disciplinares, e as tendências puristas
da época, tentando ligar as várias formas artísticas
com a mesma dignidade.
António
Carvalhal 2000/2004
Man
Ray 1 - legendas das imagens:
1-
"Le Violon D´Ingres", 1924 - talvez a fotografia mais famosa de Man
Ray, citação da tela "La grande baigneuse" de Ingres.
2-
"Coat-stand", 1920 - Fotografia publicada originalmente na revista "New-Dada
York", 1921 com o título "Dadaphoto"
3-
"La femme", 1920
4-
"Integration of shadows", 1921
5-
auto-retrato, sem data. O tema do suicídio que foi uma obsessão
de Man Ray num período da sua vida é aqui abordado
6-
Antonin Artaud, escritor, 1921
7-
André Breton, escritor, 1930
8-
Salvador Dali, pintor, 1929-31
9-
Max Ernst, pintor, 1935 - Fotografia com semi solarização
10-
"Érotique voilée" - Retrato da pintora Meret Oppenheim
António
Carvalhal, Sépia- A.C./L.S. - Março 2004
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