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textos 2
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Pequeno (mas longo) balanço das artes plásticas do século XX
nota
- este texto foi escrito originalmente para ser publicado em papel com
as respectivas imagens ilustrativas. Como neste meio é um pouco
difícil colocar as 79 imagens - figuras correspondentes, optou-se
por manter no texto o local de inserção das imagens
e as respectivas legendas encontram-se no final. Os mais interessados e/ou
curiosos podem sempre dar-se ao trabalho de as procurar em livros
ou até na NET.
O
texto original e respectivas imagens está editado pelo Ministério
da Educação: Guia de Aprendizagem - Oficina de Desenho
e Composição, Unidades 5, 6, 7 e 8 (Ensino Recorrente).
Esta publicação - Correntes artísticas contemporâneas, em condensado, pretende ser um auxiliar a todos os interessados por este tema, especialmente a professores e alunos de Artes Visuais - Plásticas. Para maior aprofundamento existe uma bibliografia no final.
António Carvalhal . Leonor Soares . Porto, 1999. ©
(actualizado em 1.3.2001)
Este
"balanço" pretende apenas debruçar-se sobre as correntes
artísticas pós-segunda Guerra Mundial. Por uma questão
de localização temporal e artística, indicam-se aqui
apenas os títulos / nomes (por ordem e data cronológica de
aparecimento) das principais correntes do Século XX anteriores às
aqui descritas, sobre as quais existe abundante informação
em livros de História de Arte.
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- Impressionismo e Simbolismo
(com início e força no século XIX. Surgiram em 1863
e década de 80, respectivamente).
- Expressionismo - onde
se incluem grupos ou movimentos como Die Brucke - A Ponte, Der
Blaue Reiter - O Cavaleiro Azul, e Nouvelle Ojectivité
(nasce entre 1900 e 1910).
- Fauvismo - Expressionismo
em França (origem em 1905).
- Cubismo e as suas variantes
- Cubismo Cézzaniano - negro (1907, ìDemoiselles D´Avignon"
de Picasso), Analítico, Hermético, Colagem e Sintético.
- Orfismo (nasce em 1912.
Derivação do Cubismo).
- Futurismo Italiano (1909).
- Raionismo (1911. Derivado
do Futurismo).
- Pintura Metafísica
- Giorgio de Chirico (1909).
- Abstraccionismo ou Expressionismo
abstracto (1912).
- Suprematismo Russo (1913).
- Construtivismo e Bauhaus
(1914).
- Neoplasticismo - De
Stijl (1917).
- Dadaísmo ou Movimento
Dada (1916, criação do Cabaret Voltaire).
- Surrealismo (1924, Manifesto
Surrealista de André Breton).
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Informalismo. Gestualismo. Abstraccionismo. Pop Art. Assemblages, Ambientes, Instalações, Happenings, Body Art e New Dada. Arte Conceptual. Op Art. Hiper-realismo. À margem dos "ismos". Tendências actuais. Bibliografia. António Carvalhal . Leonor Soares |
Na primeira metade do século
XX o conceito básico da arte contemporânea e o conceito de
vanguardismo estavam quase automaticamente ligados à ideologia do
progresso, característica da moderna sociedade industrial que resultou
da industrialização iniciada no séc. XIX.
A 2ª Guerra Mundial
traçou uma linha divisória na cultura e na história
de arte deste século, que conduziu ao chamado informalismo, ao movimento
abstraccionista, ou expressionismo abstracto nos Estados
Unidos e a uma série de movimentos artísticos daí
derivados (fig. 1 - W. de Kooning. "Mulher II". Óleo s/ tela. 1952)
"A guerra explodiu
num contexto cultural que já tinha assistido, durante a década
de 30, à emigração de numerosos intelectuais europeus
para os Estados Unidos, com o consequente enriquecimento de conhecimentos
e a criação de novos estímulos para a cultura americana.
A essa emigração seguir-se-á, no final da guerra,
a deslocação substancial dos centros de valorização
da arte das capitais europeias para os grandes centros metropolitanos dos
Estados Unidos, a começar por Nova Iorque. (fig. 2- Andy Warhol.
"Two Marilyns". Serigrafia s/ tela. 1962).
Por outro lado, a
duração e a expansão geográfica do conflito,
bem como as suas consequências sociais e económicas, permitem
englobar no termo "segundo pós-guerra" uma extensão temporal
que vai desde o início dos anos 40 até ao final do decénio....
Por fim, há que destacar a dimensão trágica do conflito
nas suas múltiplas manifestações, que não terminaram
com o lançamento da bomba atómica, que iria influenciar nas
consciências mais esclarecidas muito para lá da contingência
do facto isolado, como sinal do encerramento definitivo de um ciclo da
história da humanidade, pela consciência, que então
se teve, de que era possível destruir todo o planeta.
Se a estas premissas
se juntarem as naturais dificuldades de mercado e de efectiva capacidade
material de agir, bem como os entusiasmos do pós-guerra quanto à
circulação de ideias e de conhecimentos, facilitada pela
reabertura das fronteiras tanto políticas como culturais, ter-se-à
a visão de um panorama bastante multifacetado, onde se verifica
a alternância de continuidade e inovação, aberturas
internacionais e defesa das tradições locais, dramas do presente
e projecções num futuro a imaginar e construir."
Sandro Sproccati -
Guia
de História de Arte
Note-se que muitos dos movimentos
artísticos - "ismos", aqui descritos decorrem em paralelo
no tempo, podem ter interpretações, nomes, categorias e sub-categorias
diferentes conforme os analistas/historiadores de arte e que por
vezes muitos artistas têm obras integradas em vários movimentos,
ou pelo contrário, difíceis de enquadrar e "catalogar" em
qualquer deles.
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A arte informal engloba um
grande leque de direcções e ramificações distintas
e abrange obras de aspectos e conteúdos muito diversos.
Dentro da arte informal pode falar-se
de expressionismo abstracto, pintura matérica, pintura
sígnico-gestual, gestualismo, action-painting , pintura tachista
(do
francês "tache" - mancha) e espacialista.
Cada uma destas correntes
tem o seu carácter específico, quer pelos "novos" (porque
até então alheios à pintura) materiais ou técnicas
empregues quer pelas soluções espaciais que apresentam.
A arte informal-
informalismo pode situar-se numa categoria muito vasta que
é a "obra aberta", indicada por Umberto Eco.
"Trata-se por conseguinte,
de enfrentar um tipo de pinturas em que a expressão adquiriu novas
e múltiplas possibilidades. Em muitas obras informalistas observa-se
a presença de determinados signos e manchas aos quais o artista
não deu significado predeterminado quando os criou, mas o espectador
pode dotá-los de significados vários ao contemplá-los.
Neste sentido o espectador, contribui, de certa maneira, para "concluir"
a obra apresentada como "aberta" à interpretação por
parte do artista." (fig. 3 - Antonio Saura. "O grito". Óleo
s/ tela.)
Considera-se que a pintura
informalista teve início em 1944, ou seja perto do final da 2ª
guerra mundial - tendo ido buscar as suas influências ao dadaísmo,
surrealismo e abstraccionismo - em dois focos principais que foram Nova
Iorque e Paris, tendo-se posteriormente espalhado por outros lugares dos
Estados Unidos e da Europa.
O termo art informel
foi adoptado na Europa pelo crítico francês Michel Tapié,
que pretendia eliminar o realce dado pelos americanos ao conceito de action
painting e destacar a abolição da "forma" na arte,
substituindo-a por zonas de matéria pictórica muito elaboradas
que chegavam a criar verdadeiros relevos. Aliás, o vulgarmente considerado
iniciador do informalismo europeu foi o pintor francês Jean Fautrier
(1898-1964) , que em finais da década de 20, realizava já
um tipo de trabalhos que, apesar de ainda serem figurativos, distinguiam-se
pela espessura das suas texturas (fig. 4 - Jean Fautrier. "Cristo na Cruz".
Óleo s/ tela).
Dentro do chamado expressionismo abstracto Norte Americano podemos destacar duas correntes principais, gestualismo ou Action Painting e o abstraccionismo:
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Artistas mais representativos
:
- Jackson Pollock
(1912-1956) (fig. 5- Jackson Pollock. "Blue Poles" - pormenor. Óleo,
polímetros, tinta de alumínio e vidro s/ tela - 1952), Robert
Motherwell (1915) (fig. 6- Robert Motherwell. "Elegia à
república Espanhola, nº 108". Óleo s/ tela. 1955-60,Willem
de Kooning (1904-1998), Franz Kline (1910-1962), Sam Francis
(1923), Hans Hofman (1880-1966), Philip Guston (1913-1980), e Adolph Gottlieb
(1903-1974).
O termo Action Painting
deriva de uma das características principais deste tipo de pintura:
a velocidade de execução, o gesto, ou, o que é o mesmo,
a pintura de acção. Pollock (um dos
artistas mais importantes da história da pintura e iniciador do
Expressionismo abstracto) utilizava sempre o sistema de dripping , ou seja
o espargir directo de um tubo ou balde do qual cai a tinta. Esta vai cobrindo
uma e outra vez a superfície da tela estendida horizontalmente
no chão, daí resultando um denso emaranhado linear sem qualquer
controlo ético ou estético, por vezes caótico (fig.
7- Jackson Pollock a pintar). A Action Painting retoma o conceito
central do surrealismo, que André Breton elaborou entre 1924 e 1929:
o automatismo.
Na pintura informal
e na Action Painting em particular o que prevalece é a tinta
- matéria, disposta mais ou menos ao acaso.
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- Com influências de
Malevich, Matisse, Mondrian e Kandinsky.
Artistas mais representativos:
- Mark Rothko
(1903-1970) (fig. 8- Mark Rothko. "Nº 10". Óleo s/ tela. 1950,
Barnett Newman (1905-1970), Mark Tobey (1890-1976), Ad Reinhardt (1913-1967),
e Clyfford Still (1904-1980) (fig. 9- C. Still. "D nº1". Óleo
s/ tela. 1957).
A sua pintura era
contrária à Action Painting . Perseguiam um ideal de pintura
absoluta, diferente de tudo o que tivesse existido. Nas suas pinturas,
a imagem torna-se um acontecimento ritual, mágico, sagrado, pretendendo
intervir psicologicamente nos espectadores. Em 1955 num ensaio intitulado
"American Type Painting", Clement Greenberg empregou a expressão
"Painting Field" (campo colorido, também conhecida por
Pintores em Campo de Cor) para diferenciar a abstracção sensual
de Pollock, de W. de Kooning e de Gorky, das superfícies planas,
de cromatismo simplificado e vibrantes do abstraccionismo: "As margens
das grandes telas de Newman fazem o mesmo papel que as linhas interiores
das formas; dividem mas não separam pontos, nem os fecham ou isolam;
elas delimitam mas não limitam".
Europa - na Europa, o gestualismo revelou-se mais moderado, reflexivo e diluído em vários campos do que o da Action Painting dos Estados Unidos.
Artistas mais representativos
- Europa:
- Jean Dubuffet
(1901-1985), pintor francês que inventou a chamada "arte bruta" com
origens na arte primitiva e que pretendia abarcar todas as expressões
artísticas não reconhecidas oficialmente como as obras de
videntes, primitivos, crianças e doentes mentais, usando como materiais
alcatrão, areia, matérias lamacentas, carvão, giz,
etc. (fig. 10- J. Dubuffet. Óleo s/ tela. 1947);
Antoni Tápies (1947),
importante pintor espanhol, que ainda hoje continua a realizar pinturas
de base matérica e influência Zen (fig. 11- Trabalhos
de Antoni Tapies, expostos em Madrid na "Arco 88").
Antonio Saura (1930- 1997?),
também espanhol, com uma obra essencialmente de "retratos" gestualmente
deformados, grotescos (fig. 3); Francis Bacon (1909-1992),
importantíssimo pintor britânico, com uma pintura socialmente
empenhada e polémica com deformações grotescas de
imagens figurativas (fig. 12-Francis Bacon. "Autoretrato") ; Hans Hartung
(1904-1995), pintor alemão que desenvolveu a gestualidade e a linguagem
do inconsciente; Lucio Fontana (1899- 1968), italiano de origem argentina,
pintor experimentalista e "espacialista" - com uma constante preocupação
de resolução do espaço nas suas obras (fig. 13- Lucio
Fontana. "Conceito espacial". Óleo s/ tela. 1958); Karell
Appel (1921), (fig. 14) holandês, um dos fundadores
do grupo expressionista abstracto COBRA; Alberto Burri (1915), italiano
que realizou uma pintura de pesquisa com materiais diversificados e invulgares;
Leoncillo (1915-1968), italiano, um dos raros escultores informalistas,
que, em obras de cerâmica e terracota, aderiu ao "sentido misterioso"
da matéria bruta; Schulze Wols (1913-1951); Georges Mathieu (1921),
Manolo Millares (1926-1972, Esp.).
Em Portugal dentro
do variado leque de expressões artísticas do informalismo,
podemos inserir os pintores Fernando Lanhas (1923), considerado o introdutor
do abstraccionismo em Portugal; João Vieira (1934); António
Sena (1941); e Eurico Gonçalves (1932); bem como algumas fases
de Nadir Afonso (1920); Joaquim Rodrigo (1912-1997); Júlio Resende
(1917), (fig. 15); Menez (1926-1995); João Hogan (1914-1988); António
Charrua (1925) e Rogério Ribeiro (1930).
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A "Pop Art" foi uma resposta ao individualismo e "intelectualismo" da arte informal. A Arte Pop começou em Londres, a meio da década de 50, sendo uma das obras mais conhecidas desta altura a pintura de 1956 de Richard Hamilton "O que é que torna as casas de hoje em dia tão diferentes, tão agradáveis?" (fig. 16) e teve grande desenvolvimento na década seguinte nos Estados Unidos. Foi um movimento que dominou os anos 60, em que os artistas exploraram intensamente o mundo popular (daí a origem do termo Pop Art ) das imagens comerciais próprias de uma sociedade de consumo em expansão, imagens essas "retiradas" de vulgares produtos comerciais (coca-cola, detergentes, alimentos, electrodomésticos, automóveis, etc.), personalidades políticas e do mundo do espectáculo, bandas desenhadas e revistas de grande tiragem, etc. Pode portanto concluir-se que foi uma arte dirigida ao grande público, proclamando o triunfo do consumismo, embora por vezes de um ponto de vista crítico e irónico.
Artistas mais representativos:
- Andy Warhol
(1928-1987), pintor americano, é talvez o pintor mais representativo
da Arte Pop. Representou elementos com nítido carácter comercial
- (Coca-cola, sopas Campbell (fig. 17), acontecimentos que fossem notícia
(choques de automóveis, automóveis, cadeira eléctrica),
personagens célebres, como mitos cinematográficos (Marilyn
Monroe - ver fig. 2, Elisabeth Taylor, Elvis Presley), políticos
(Keneddy, Mao-Tse-Tung - fig. 18) - muitas vezes em sequências de
imagens repetidas e provocatórias, com cores carregadas e vivas.
Utilizou muito o processo
de impressão de serigrafia sobre tela, o que lhe permitiu realizar
séries inteiras dedicadas a um único tema, variando as cores
empregues. Foi também um personagem influente no mundo da alta sociedade
Nova Iorquina e nos meios artísticos underground. No seu atelier,
conhecido por Factory (fábrica) realizaram-se acontecimentos
variados e importantes na cultura da época, protegendo artistas
novos de vários campos artísticos como a fotografia, a música
(o grupo Rock Velvet Underground de Lou Reed e John Cale "nasceu"
na Factory), bailado, teatro, etc.;
Roy Lichtenstein (1923-1998), Americano, recorreu às imagens estandartizadas da banda desenhada (fig. 19), citações de jornais e fragmentos decorativos. Os seus quadros são como que "cópias" muito ampliadas de fotografias, onde aparecem os pontos usados na impressão (fig. 20);
David Hockney (1932) pintor e desenhador Inglês (fig.s 21 e 22), com uma obra multifacetada de estilos e ìcorrentesî muito diversificados, mas sempre de grande destreza técnica, tendo passado também pela Arte Pop, registando a vida contemporânea com uma precisão lúcida e com um grafismo puro e simplificado e cores fortes;
Peter Blake (1932, G.B.), representou elementos relacionados com a tradição popular inglesa (fig. 23), incorporando antiguidades, objectos vitorianos, fotografias de estrelas de cinema, objectos inúteis de plástico, etc. com elementos nostálgicos da sua infância e juventude. Embora a identidade dessas imagens se conserve, apresenta-se-nos alterada pela sua forma de representar, caracterizada por uma grande nitidez e pelo emprego do trompe d´oeil. Foi autor da capa e do grafismo interior do famoso disco dos Beatles , Sgt. Pepper´s Lonely Hearts Club Band, de 1967;
Richard Hamilton (1922), Inglês, das origens da Pop, usou a fotografia para explorar temas tecnológicos e fantasias da mente humana; Allen Jones (1937, Inglaterra); Richard Smith (1931, Ing.);
Jasper Johns (1930), Americano, representou essencialmente imagens banais do quotidiano Americano, como bandeiras, alvos (fig. 24) e números, elevando-os à categoria de produtos artísticos;
Claes Oldenburg (1929), escultor
americano de origem sueca, com obras que denunciam e parodiam a sociedade
de consumo;
Robert Indiana (1928, EUA),
com obras onde coexistem letras e sinais; Robert Rauschenberg (1925, EUA),
realizou e realiza pinturas, colagens e "instalações"
com objectos de consumo e de refugo;
Larry Rivers (1923, EUA);
George Segal (1925, EUA),
escultor que realiza em gesso figuras humanas em tamanho natural, moldando-as
directamente em pessoas, dispostas com objectos verdadeiros, (fig. 25)
estando portando na categoria de "instalações" e assemblages
;
Tom Wesselman (1931, EUA);
Jim Dine (1935, EUA); James Rosenquist (1933, EUA); Mel Ramos (EUA); Valerio
Adami (1935, Itália); Franco Angeli (1935-1988, It.).
Em Portugal, Carlos
Calvet (1928), concebeu uma síntese entre a Arte Pop e a pintura
Metafísica e Costa Pinheiro (1932) retratos imaginários dos
reis de Portugal. A pintora Paula Rego, radicada em Londres teve também
uma fase ligada ao movimento Pop inglês, mas evoluiu para uma pintura
Neo-Expressionista com elementos de perversões sociais (fig.
26). Também Eduardo Batarda (1943) na sua fase inicial, Réne
Bertholo (1935) e António Palolo, entre outros, realizaram obras
inseridas na Arte Pop.
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Alguns artistas ligados à Arte Pop e Arte Conceptual, realizaram (e ainda realizam actualmente) obras que se podem inserir nos termos acima indicados e que não se circunscrevem nem ao ambiente plano da tela, nem na escultura tradicional.
Claes Oldenburg; Robert Rauschenberg (fig. 27); Georges Segal; Edward Kienholz (1927, EUA); Duane Hanson (1925, EUA); John de Andrea (1941, EUA); Denis Oppenheim (fig. 32); Judy Pfaff (1946, EUA) (fig. 31), Christo (1935, Hungria), famoso pelos seus "embrulhos" de edifícios (fig. 28), dos quais o último foi o Parlamento alemão em 1996, Nam June Paik (1932, Coreia) (fig. 29), Jim Dine (1935, EUA); Keith Arnatt (1930, G.B.) (fig. 30); John Cage (músico); Merce Cunningham (coreógrafo), são os artistas mais representativos destas formas de expressão artística.
Assemblage ou ambiente - a sua influência vem do movimento Dada e dos Ready-made, pois misturam em obras tridimensionais diferentes materiais artísticos, com materiais reciclados, detritos e produtos industriais, tirados do seu contexto habitual (fig. 27).
Instalação - obras tridimensionais que conjugam diversos materiais e objectos, incluindo luzes de neon e cuja colocação é variável conforme o local onde são "instaladas". As instalações reflectem muitas vezes preocupações de índole social, política, estética, etc. (fig. 31)
Happening (Acontecimento) - termo inventado pelo americano Allan Kaprow (1927), no final dos anos 50, para designar um acontecimento que se desenvolve perante o público, centrando a sua atenção no comportamento humano e no meio circundante. É quase uma ligação arte plástica/teatro, mas que não priveligia nenhum dos meios expressivos tradicionais, como a palavra, a música ou a cor. (fig. 32)
Body Art (Arte do Corpo) - Utilização do corpo, por parte de certos artistas, como forma de expressão, transgressão ou manifestação.
New Dada (Novo Dadaísmo, ou Novo Realismo na Europa) - Movimento que, embora com a presença dos mesmos artistas da Arte Pop, pretendia retomar, de uma forma actualizada o espírito do dadaísmo de Marcel Duchamp, Man Ray e Kurt Schwitters, através da fotomontagem e da colagem de materiais.
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Surgiu nos anos 60 a partir
dos Happenings e tem influência dos Ready-made de Marcel Duchamp.
A arte conceptual pode usar meios e materiais não relacionados directamente
com as artes plásticas, como o vídeo, projectores de slides,
fotografia e põe em causa as definições de arte de
uma forma mais radical do que a Arte Pop, pois insiste que é na
imaginação, no idealismo, na ideia geradora, no conceito,
que prevalece a arte e não na execução. (fig. 33)
"Uma vez que a obra
de arte é um sub-produto acidental desse salto imaginativo, pode
perfeitamente ser dispensada, assim como as galerias de arte e por extensão
o próprio público. O processo criativo só precisa
de ser documentado de alguma forma, geralmente verbal, ou pela fotografia,
vídeo ou cinema."
H. W. Janson - História
da Arte
Artistas mais representativos:
- Joseph
Beuys (1921-1986 Alemanha), artista controverso que se
iniciou como escultor, utilizando materiais insólitos, como gordura,
feltro, elementos naturais e materiais industriais (também conotado
com a Arte Povera - Arte Pobre). Dele escreveu Gillo Dorfles. "A própria
personalidade física do artista faz parte da obra (ou da encenação).
Beuys serve-se habilmente do corpo com acções públicas
onde os seus gestos, as suas inclinações, a sua participação
com comportamentos diversos ajudam à compreensão do espectador.
Nos últimos tempos, porém, o aspecto mais singular da sua
actividade consistiu numa deliberada missão "de prédica".
Beuys procede como um sacerdote laico que, com as suas palavras, visa convencer
o auditório de alguns princípios ético-estéticos
e político-espirituais" (fig. 34);
Joseph Kosuth
(1945, EUA), impôs-se muito jovem na cena mundial da vanguarda com
uma obra desconcertante (one and three chairs, 1965-66), (fig. 35) onde
apresentava uma cadeira verdadeira, ao lado de uma fotografia da mesma
cadeira e junto desta um texto escrito em que se podia ler a definição
de cadeira, tirada de um dicionário. Graças a uma importante
obra ensaística é um dos maiores animadores no actual debate
sobre o papel do artista na sociedade contemporânea;
Giulio Paolini (1940, Itália),
tem uma obra essencialmente de pesquisa; Vincenzo Agnetti (1926-1982, Itália),
autor de uma obra de provocação intelectual; Yves Klein (1928-1962,
França); Sol LeWitt (1928, EUA), pintor minimalista; Ad Reinhardt
(1913-1967, EUA), pintor minimalista; Frank Stella (1936, EUA), pintor
minimalista (fig. 36); Robert Mangold (EUA), minimalista; Donald Judd (1929);
Robert Morris (1931, EUA), autor de enormes esculturas geométricas;
Lawrence Weiner (1940, EUA), Anthony Caro (1924, EUA); Marcel Broodthaers
(1924-1976, Bélgica); Keith Arnatt (1930, G.B.) (fig. 30), etc.
Em Portugal, podem
citar-se os pintores Ângelo de Sousa (1938), Jorge Pinheiro (1932),
Álvaro Lapa (1939), Artur Bual (1926), António Charrua, Luis
Dourdil (1914-1989), como representantes do informalismo/minimalismo.
Dentro da Arte Conceptual
pode inserir-se o Minimalismo (Minimal Art), corrente dos anos 60 e 70,
que como o nome indica pretendia desenvolver uma arte de grande simplicidade,
reduzida a materiais e formas geométricas puras, com configurações
triangulares, quadradas, circulares (fig. 36)e cores monocromáticas.
Como muita da arte "moderna" e "pós-moderna", o minimalismo questiona
o papel dos artistas e a natureza da criatividade.
Também as denominadas Land Art ou Earth Art (Arte da terra, "à letra"), Arte Povera (Arte Pobre), sub-tendências que existem desde os anos 60, podem estar inseridas no espírito da Arte Conceptual, embora possam ser conotadas com a chamada "Vanguarda" dos anos 60 e 70.
A Land Art , que pretende intervir nos espaços naturais, com "instalações", deixando sinais ou marcas ecológicas, nasceu e desenvolveu-se nos EUA. Os seus principais representantes são Denis Openheim, Robert Smithson (fig. 37), Carl Andre, Richard Serra, Richard Long, Walter De Maria, Heizer.
A Arte Povera
(surgida em 1967) foi um importante contributo dos artistas italianos para
a definição da nova vanguarda internacional. O principal
mérito da Arte Pobre foi produzir "objectos de arte" com materiais
"pobres" como madeira, pedra, etc., normalmente conjugados com neons, despojando
a arte da auréola de nobreza e misticismo habituais.
Artistas principais
- Alighiero Boetti, Mario Merz, Giovanni Anselmo, Michelangelo Pistoletto,
Pino Pascali, Gilberto Zorio.
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O termo Op Art , é uma abreviatura de Optical Art (Arte Óptica) e foi usado pela primeira vez em 1964 na revista americana Time. Normalmente a crítica considera que a Op Art é uma derivação da Arte Cinética. É um tipo de pintura, desenho ou obra tridimensional que, através do seu dinamismo visual e do efeito forma geométrica-fundo, linha-côr, consegue criar efeitos de ilusão óptica e estímulos visuais no olhar dos espectadores.
Artistas mais representativos - Victor Vasarely (1908, Hungria) é o artista mais divulgado desta corrente. Partindo da pintura "suprematista" de Malevich, desenvolveu as noções de movimento e espaço-tempo em pintura (fig. 38); Bridget Riley (Londres, 1931), (fig. 39); Jesus Soto; e uma série de pintores que trabalharam em equipe e que realizaram experiências relevantes, como o Grupo T de Milão; Equipa 57 de Espanha; Grupo N de Pádua; Grupo Uno de Roma; Grupo MID de Milão; Grupo Zero da Alemanha; Recherche d´Art Visuel de Paris.
Em Portugal, realizaram obras inseridas na Op Art , Eduardo Nery (1928); Nadir Afonso e Jorge Pinheiro, Manuel Baptista (1936), entre outros.
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Tendências surgidas a partir dos anos 60 nos EUA (mas com a primeira grande exposição a realizar-se em 1972), em que as obras representadas - pinturas ou esculturas, são realizadas a partir de imagens fotográficas, no caso da pintura, ou de figuras reais, no caso da escultura. No Foto-realismo é a fotografia em si que constitui a realidade e é sobre ela que os pintores realizam os seus quadros, através da projecção de slides sobre a tela ou transferindo-a por meios mecânicos.
Artistas mais representativos - Chuck Close (1940, EUA), (fig. 40); Robert Cottingham (1935, EUA); Don Eddy (1944, EUA); Audrey Flack (1931, EUA); John deAndrea (1941, EUA), (fig. 41); Duane Hanson (1925, EUA), (fig. 42); Gregory Gillespie (1936, EUA); Richard McLean (1934, EUA).
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À margem das "correntes artísticas" ou "ismos" (por não se enquadrarem em nenhuma "corrente", ou até por terem atravessado várias), encontram-se muitos artistas importantes como:
Edward Hopper (1882-1967),
(fig. 43) o maior pintor "Realista" Americano do séc. XX;
Balthus (1908, Suíça),
pintor figurativo de grande rigor clássico, que ao longo da sua
obra tem representado temas perturbantes e muitos vezes considerados como
sendo de um ìerotismo intimistaî. (fig. 44);
Lucien Freud (1922), neto
de S. Freud ìpaiî da psicanálise, considerado o maior pintor britânico
figurativo vivo, (fig. 45) depois da morte de Francis Bacon;
Barbara Hepworth (1903-1975),
escultora Americana;
César (1921- 1998),
escultor francês, que trabalha com betão e material industrial
reciclado em obras que pretendem simbolizar a sociedade industrial
Rudolf Hausner (1914), pintor
e escultor Austríaco (fig. 46);
Eduardo Chillida (1924,
Espanha), escultor e pintor;
Henry Moore (1898-1986,
G.B.), talvez o mais importante escultor deste século, com uma concepção
muito particular de volume e espaço (fig. 47);
Jean Tinguely (1925-1991,
França), escultor, autor de "máquinas delirantes" (fig. 48);
Alberto Giacometti (1901-1966),
escultor, desenhador e pintor suíço, com obras que vão
desde o surrealismo à "Vanguarda" (fig. 49. Ver também fig.
38 da Unid. 4);
Marino Marini (1901-?),escultor
italiano (fig. 50);
Botero (1932), escultor
colombiano radicado em França, que realiza obras figurativas, mas
volumosas e deformadas;
Antonio López (1930),
importante escultor figurativo espanhol (fig. 51); Pierre Bonnard;
e os portugueses Maria Helena
Vieira da Silva (1908-1992) (fig. 52); Júlio Pomar (1926); Joaquim
Rodrigo (1912-1996); Jorge Martins (1940); José de Guimarães
(1939), José Rodrigues (1936), entre outros.
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Transvanguarda, Neo Expressionismo,
Novos Selvagens, Bad Painting, Nova Figuração, Pós
modernismo, são alguns dos termos usados para
enquadrar artistas em correntes desde os anos 80 até ao presente.
Seguem-se dois documentos
para melhor compreensão do espírito da arte do presente.
António Carvalhal . Leonor Soares . 2001.
©
"O Neo-expressionismo
como alternativa.
A partir dos finais
dos anos 70, produz-se um predomínio da pintura relativamente a
qualquer outro tipo de manifestações, embora haja locais
em que a escultura adquiriu nítida preponderância. Seria o
caso da escultura britânica, que conta com grande número de
criadores importantes e que fundamenta a sua linguagem nas técnicas
da colagem e montagem.
Nos outros países
da Europa, o pictórico triunfou plenamente e poderia acrescentar-se
que a corrente mais representativa é a que se entendeu chamar Neo-expressionista
na Alemanha e Transvanguarda em Itália. Essas denominações,
contudo, reúnem um género de manifestações
que nem sempre se caracteriza pelos mesmos elementos e portanto dir-se-á
que não são muito coerentes. Podem indicar-se, todavia, algumas
constantes.
Em primeiro lugar,
observa-se uma tendência para justapor uma linguagem figurativa ao
abstracto. Assim, sobre fundos formados por manchas ou por franjas de cor,
o artista dispõe configurações em largos traços
negros que contrastam violentamente com os fundos (fig. 53). Por outro
lado, a maioria dos artistas opta por pinturas de grandes formatos. Os
artistas nunca partem da cópia da realidade, mas esquematizam ao
máximo os traços dos personagens captados. Do mesmo modo,
quando o assunto é a paisagem, quer rural quer urbana, também
não se trata de representações de carácter
imitativo, mas apenas referencial. Os objectos são captados de um
modo intuitivo e inseridos sem preocupação pela perspectiva
no conjunto pictórico.
O facto de estas pinturas
se terem denominado neo-expressionistas deve-se fundamentalmente a terem
seguido a corrente expressionista dos inícios do século (fig.
54).
Isso sucede, como é
lógico, de forma muito peculiar, pois de contrário, poderia
implicar uma simples cópia ou inclusivamente apresentar-se a possibilidade
de plágio, o que não acontece. Nesse sentido o neo-expressionismo
actua como uma tendência da pós-modernidade e recorre à
"citação" de uma manifestação anterior para
construir, a partir dela, algo completamente novo. Não foi em vão
que decorreram mais de setenta anos depois de os artistas alemães
iniciarem o caminho do expressionismo.
Todas as outras correntes,
logicamente, deixaram o seu rasto e a sua presença, embora em estado
latente, nesse neo-expressionismo. Talvez se possa dizer desta corrente
que é eclética, na medida em que reúne os mais diversos
elementos procedentes de correntes anteriores. Mas no seu ecletismo existe
algo verdadeiramente importante, como seja a possibilidade de continuidade,
o que se considerava nas últimas décadas como impossível.
Chegara-se a falar da morte da pintura, para dar lugar a uma nova era dominada
pela arte feita por computador. Entretanto. viu-se que o artista do século
XX foi capaz. embora recorrendo ao passado, de renovar o seu reportório
e de oferecer um tipo de pintura despreocupada.
O tempo determinará
a sua importância e permitirá estabelecer quem são
os artistas mais representativos do neo-expressionismo e das restantes
tendências contemporâneas. De momento. apenas se podem dar
listas que correm o risco de pecar por incompletas ou por demasiado exaustivas.
Em Itália,
trabalham nessa tendência pintores como Mimmo Paladino (1948) (fig.
53); Sandro Chia (1946) (fig. 55); Francesco Clemente (fig. 56); Nino Longobardi;
Enzo Cuchi (1950); Mario Schifano; (1952) e Mario Merz (1925), entre outros.
Na Alemanha,
os neo-expressionistas mais conhecidos na actualidade são: Georg
Baselitz (1938), pintor que muitas vezes apresenta os seus quadros invertidos
(fig. 54); Anselm Kiefer (1945) (fig. 57); Doukoupil (1954, Checoslováquia)
(fig. 58); Salomé (1954) (fig. 78); Markus Lupertz (1941); A. R.
Penck (1941) (fig. 59);Per Kirkeby; Jorg lmmendorff (1945); Andreas Schulze
(1955), Gerhard Richter (1932); Sigmar Polke (1941), Martin Kippenberger
(1953), (fig.s 43 e 44 da Unid. 5) e Werner Buttner (1954) (fig. 60).
Nos Estados
Unidos, Jean Michel Basquiat (1960-1986) (fig. 61) e
Keith Haring (1958-1990) (fig.s 62 e 63), inicialmente "apadrinhados" por
Andy Warhol; Kenny Scharf (1958); Eric Fischl (1948); Julian Schnabel (1951)
(fig. 79); Cindy Sherman (1954); Jeff Koons (1955) (fig. 64), escultor
polémico; Robert Longo (1953), escultor e autor de instalações
(fig. 65); James Turrell (1943, EUA) (fig. 66), autor de "instalações"
e "ambientes" que jogam com efeitos de luz; David Salle (1952).
Na Grã-Bretanha,
Gilbert & George (fig. 67); Alexis Hunter; Richard Deacon (1949) (fig.
68); Victor Willing (1928-1988), marido da pintora Paula Rego; Ken Kiff
(1935); Tony Cragg, Douglas Gordon e Alan Davie entre outros.
Em Portugal,
Álvaro Lapa; Paula Rego; João Penalva; Graça Morais;
Sérgio Pombo; Julião Sarmento (fig. 69); Cabrita Reis; J.
Pedro Croft; Leonel Moura; Pedro Proença; Pedro Calapez; Rui Chafes;
Fernando J. Pereira, Pedro Tudela (fig. 70), António Olaio entre
outros.
No Brasil,
Leonilson; Jorge Duarte; Adir Sodré e Gervane de Paula.
Em França,
Gérard Garouste; Robert Combas (1957) (fig. 71); François
Boisrond (1959) e Rémi Blanchard, entre outros.
Em Espanha,
há também muitos representantes notáveis das "novas"
tendências, como Miguel Barceló; Eduardo Arroyo/ Equipo Crónica
(fig. 72); Frederic Amat; Ferran García Sevilla; Victoria Civera;
Chema Cobo; Jose Maria Sicilia; Florenci Guntín; Benassar (ver fig.
21 da Unid. 4); Alfonso Fraille (fig. 73); Juan Bordes (fig. 74), Juan
Gopar (fig. 75), Juan Muñoz (fig. 76), Manolo Valdes e Cristina
Iglésias escultores, Equipo Limite, etc.
A falta de objectividade
relativamente a um movimento que na actualidade se encontra em plena efervescência
impede de estabelecer com maior clareza quais são os seus objectivos
e sobretudo, qual será o seu futuro ou, pelo menos, aonde vai desembocar.
O Neoconstrutivismo Abstracto e a figuração politizada tendem
já, em certos meios artísticos, a invadir o seu campo de
acção, repondo a exigência de progresso, de internacionalismo,
de projecto e de consciência da história. O Pós-Moderno,
com a sua fragmentação, citações paródicas,
redundância e acaso, relativiza a história e afirma o regionalismo.
Os Alemães recuperam o movimento moderno em que mais se prestigiaram,
o expressionismo, enquanto os Italianos citam a pintura anticubista dos
anos 10, que por sua vez citava já as tradições pós-renascentistas
que as notabilizaram. À margem da história oficial, quer
política quer cultural, o problema da modernidade ou da pós-modernIdade
põe-se de uma maneira menos datada em Portugal, no Brasil e em outros
países latino-americanos, sendo os seus artistas por vezes mais
profundos e originais, se não precursores, no que quer que se chame
regionalismo."
adaptado e actualizado de, Vários autores: A Grande Arte na Pintura.
" O novo não é novo: o espírito
da época (texto
de Klaus Honnef, adaptado e actualizado)
Nos últimos anos
deste século, a arte sofreu uma transformação. Embora
a sua própria essência seja a constante mudança, desta
vez ela atingiu camadas mais profundas, não se limitando aos aspectos
exteriores. O próprio conceito de arte é posto em questão
(fig. 77). Não obstante, à primeira vista, esta transformação
manifesta-se em numerosos aspectos exteriores. Assim, talvez a arte contemporânea
nunca tenha desfrutado de tal popularidade como agora.
Os preços sobem em
flecha, coleccionadores privados encomendam obras em quantidades sem precedentes.
Museus e galerias de arte dificilmente conseguem conter as multidões
de visitantes que afluem às inaugurações das suas
exposições. Este êxito vem-se registando desde há
muito tempo, revelando uma tendência para o seu aumento. Os preços
astronómicos que as obras clássicas dos tempos modernos atingem
nos leilões de Londres e Nova lorque constituem um investimento
seguro para o futuro. Uma seguradora japonesa pagou o equivalente a cerca
de 72,5 milhões de dólares pelo quadro Girassóis de
Vincent Van Gogh que, frequentemente pintou este mesmo tema e que, em vida,
apenas vendeu um único quadro.
Em 1987, os peritos do mundo
da arte vaticinaram que este "preço recorde" de uma obra de arte
moderna atingido a nível mundial seria batido a curto prazo. E tiveram
razão. Ainda em Maio do mesmo ano, o Dr. Gachet de Van Gogh
ultrapassou aquela marca na Galeria Sotheby, sendo o novo recorde de 82.5
milhões de dólares. Este facto revela uma grande confiança
nas perspectivas futuras do comércio de arte. O preço máximo
alcançado por este pintor holandês não foi um caso
isolado.
Se os investidores privados
estão dispostos a despender quantias tão elevadas por quadros
de mestres desaparecidos ainda há menos de um século, isto
significa que confiam nas suas perspectivas e esperam que surjam mais Van
Goghs. Os artistas vivos são, por conseguinte, directa ou indirectamente,
beneficiados por esta situação.
A arte contemporânea
tornou-se um componente natural da sociedade burguesa. Mesmo as obras acabadas
de sair do atelier de um artista são bem acolhidas, obtendo, relativamente
rápido, o reconhecimento - demasiado depressa, segundo os críticos
de arte mais indispostos. Naturalmente que nem todas as obras de arte encontram
logo um comprador, mas é indubitável que o número
dos seus compradores aumenta a um bom ritmo. Em vez de comprarem automóveis
mais dispendiosos ou velozes, muitos preferem investir em quadros, esculturas
e trabalhos fotográficos de artistas jovens, tendo em mente que
a arte contemporânea confere prestígio social. Além
disso, como as obras de arte não estão sujeitas a desgaste,
constituem, em princípio, melhor investimento que os automóveis.
Os hábitos americanos
começam a infiltrar-se na Europa: para pertencer à elite
social - ou àqueles que se consideram como tal - é preciso
saber falar de arte. No mundo ocidental, a arte contemporânea voga
mesmo sob ventos políticos favoráveis. Em França,
um ministro socialista da cultura defendeu a arte contemporânea mais
do que qualquer antecessor seu, tornando-se a figura mais popular do seu
governo. Apesar de nas eleições parlamentares não
ter conseguido impedir a derrota do seu partido, contribuiu para o prestígio
da cultura francesa; e um chanceler federal alemão da ala conservadora
abriu, de bom grado, as portas do seu gabinete às mais recentes
produções de arte contemporânea e não se coibiu
em promovê-la através de dispendiosas vernissages sobre
a nova pintura (fig. 78).
Por último, estados
e municípios da Alemanha Federal, cidades, províncias e regiões
da França, Itália e dos Países Baixos, assim como
mecenas privados na Grã-Bretanha tentam suplantar-se mutuamente
com a fundação de novos museus e galerias de arte. A concepção
de projectos para novos museus tornou-se também uma tarefa apreciada
e muito pretendida pelos arquitectos.
Ao fazer-se um exame
das correntes artísticas dos anos 80, o que salta primeiro à
vista é a abundante utilização do adjectivo "novo".
Fala-se dos "novos pintores selvagens", de uma arte "neofigurativa", de
uma "nova pintura alemã" ou de uma "nova pintura austríaca".
Tudo aquilo de que se fala aparece a luz do "novo". Aos "novos selvagens"
seguiu-se, numa rápida mudança, uma arte com um programa
neogeométrico designada, abreviadamente, por "Neogeo". E como se
não fosse suficiente: ainda os artistas neofigurativos e neogeométricos
de Nova lorque e Colónia, Paris e Viena, Londres e Milão,
que definiam as tendências, não tinham saído das galerias
para iniciarem as suas longas digressões e apresentarem as suas
exposições em museus e galerias de arte internacionais, já
os neoconceptualistas reclamavam a atenção do mundo da arte.
Acontecia frequentemente que o que era lançado na Primavera, revelava-se,
no Outono do mesmo ano, como obsoleto. E por mais estranho que pareça,
eram os mesmos críticos anteriormente citados que lamentavam mais
alto da que ninguém que não aparecia nada de "novo". Aliás,
são eles que não estão dispostos a aceitar de bom
grado esta situação: o facto de a arte contemporânea
obedecer tão cegamente às leis da moda e que artistas relativamente
jovens e de ambos os sexos tenham um sucesso comparável ao das "estrelas"
do mundo do espectáculo e acima de tudo não lhes agrada a
ideia de que a arte contemporânea não pretende inscrever no
seu estandarte o novo pelo amor ao novo (fig. 79).
O emprego inflacionado
do adjectivo "novo" no contexto das diversas correntes artísticas
não corresponde, de modo algum, à concepção
da linguagem corrente. Este adjectivo nunca aparece isolado, mas sempre
como prefixo, ligado a uma tendência artística já existente.
O novo não é, afinal de contas, tão novo e também
não tem de o ser. Por isso, é fácil para os críticos
de arte porem a ridículo todo o palavreado em redor da arte "nova"
como servindo apenas para encobrir o facto de que o rei vai nu."
Klaus Honnef,
Arte
Contemporânea
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FUSCO, R. - História
de arte contemporânea - Editorial Presença
GOMBRICH, E. - A história
da arte - Ed. Guanabara
HONNEF, K. - Arte Contemporânea
- Taschen
SPROCCATI, S. - Guia
de História de Arte - Editorial Presença
JANSON, H. W. - História
da Arte - Fundação C. Gulbenkian
MEIRELES, F. - Oficina
de Artes, Bloco I - Porto Editora
Vários Autores
- A grande Arte na Pintura- Alfa
António Carvalhal . Leonor Soares . 2003.
©
LEGENDAS DAS IMAGENS DO TEXTO ORIGINAL DE A.C. e L.S. -1996-1997
Fig. 1 - W. de Kooning. "Mulher
II". Óleo s/ tela. 1952
Fig. 2 - Andy Warhol. "Two
Marilyns". Serigrafia s/ tela. 1962
Fig. 3 - Antonio Saura.
"O grito". Óleo s/ tela.
Fig. 4 - Jean Fautrier.
"Cristo na Cruz". Óleo s/ tela
Fig. 5 - Jackson Pollock.
"Blue Poles" - pormenor. Óleo, polímetros, tinta de alumínio
e vidro s/ tela - 1952
Fig. 6 - Robert Motherwell.
"Elegia à república Espanhola, nº 108". Óleo
s/ tela. 1955-60
Fig. 7 - Jackson Pollock
a pintar
Fig. 8 - Mark Rothko. "Nº
10". Óleo s/ tela. 1950
Fig. 9 - C. Still. "D nº1".
Óleo s/ tela. 1957
Fig. 10 - J. Dubuffet. Óleo
s/ tela. 1947
Fig. 11 - Trabalhos de Antoni
Tapies, expostos em Madrid na "Arco 88"
Fig. 12 - Francis Bacon.
"Autoretrato"
Fig. 13 - Lucio Fontana.
"Conceito espacial". Óleo s/ tela. 1958
Fig. 14 - Karell Apel. "Cara
queimada". Óleo s/ tela. 1961
Fig. 15 - Júlio Resende.
"Tijela Azul". Óleo s/ tela. 1959
Fig. 16 - R. Hamilton. "O
que é que torna as casas de hoje em dia tão diferentes, tão
agradáveis?". Técnica mista. 1956
Fig. 17 - Andy Warhol. "Campbell´s
soup". Serigrafia s/ tela. 1968
Fig. 18 - Andy Warhol. "Mao-Tse-Tung".
Acrílico e serigrafia s/ tela. 1973
Fig. 19 - Roy Lichtenstein.
"Whaam". Acrílico s/ tela. 1963
Fig. 20 -Roy Lichtenstein.
"Still Life with goldfish". Óleo s/ tela. 1972
Fig. 21 - D. Hockney. "First
Married". Óleo s/ tela
Fig. 22 - D. Hockney no
seu atelier. 1992
Fig. 23 - Peter Blake. "In
the balcony". Óleo s/ tela. 1955-57
Fig. 24 - Jasper Johns.
"Alvo com 4 caras". Encáustica e colagem s/ tela. 1955
Fig. 25 - G. Segal. "Rock´Roll
combo". Gesso e instrumentos reais. 1964
Fig. 26 - Paula Rego. "Coelha
grávida a dizer aos pais". Acrílico s/ papel. 1982
Fig. 27 - R. Rauschenberg.
"Monogram". Técnica mista. 1955-59
Fig. 28 - Christo. "As muralhas
aurelianas". 1973
Fig. 29 - Obra de Nam June
Paik, exposta em Madrid na "Arco 93"
Fig. 30 - K. Arnatt. "I´m
a real artist"
Fig. 31- J. Pfaff "Dragões".
Instalação. 1981
Fig. 32 - D. Oppenheim.
"Reading position". 1970
Fig. 33 - J. Beuys. "O fim
do séc. XX". 1983
Fig. 34 - Beuys em acção.
"Twenty-four hours action". 1972
Fig. 35 - J. Kosuth. "One
and three chairs". 1965-66
Fig. 36 - F. Stella. "Imperatriz
da Índia". Pó metálico e emulsão polimétrica.
1965
Fig. 37 - R. Smithson. "Espiral
Jetty". Great Salt Lake, Utah. 1970
Fig. 38 - Vasarely. "Esfera
com quadrados"
Fig. 39 - B. Riley. Sem
título. Litografia s/ papel. 1964
Fig. 40 - C. Close. "Big
Self-Portrait". Acrílico s/ tela. 1968
Fig. 41 - J. de Andrea.
"Red-haired woman on green velvet chair". Vinil, óleo e cadeira.
1979
Fig. 42 - D. Hanson. "Man
with crutch". Vinil policromado a óleo. 1979
Fig. 43 - E. Hopper. "Sol
da manhã". Óleo s/ tela. 1952
Fig. 44 - Balthus. "Nu au
chat". Óleo s/ tela. 1949
Fig. 45 - L. Freud. "Grande
interior, Op. 9". Óleo s/ tela. 1973
Fig. 46 - R. Hausner. "Homenagem
a Leonardo, I" pormenor. Acrílico s/ tela. 1977-81
Fig. 47 - H. Moore. "Family
group". Bronze. 1948-49
Fig. 48 - J. Tinguely. "Metamachine".
1958-59
Fig. 49 - A. Giacometti.
"Walking man II". Bronze. 1947-48
Fig. 50 - M. Marini. "Cavaleiro".
Bronze. 1947
Fig. 51 - Antonio Lopez
no seu atelier. 1995
Fig. 52 - Vieira da Silva.
"Echec et mat". Óleo s/ tela. 1949-50
Fig. 53 - Mimo Paladino.
Sem título, pormenor. Óleo s/ tela. 1982
Fig. 54 - Georg Baselitz.
"A comer uma laranja II". Óleo s/ tela. 1981
Fig. 55 - Sandro Chia. "Jogo
de mão". Óleo s/ tela. 1981
Fig. 56 - F. Clemente. "Sono".
Aguarela s/ papel. 1982
Fig. 57 - A. Kiefer. "Quaternidade".
Carvão e óleo s/ estopa. 1973
Fig. 58 - Dokoupil. "O atelier".
Acrílco s/ tela. 1984
Fig. 59 - A. R. Penck. "Incidente
em N.Y., III". Resina sintética s/ tela. 1983
Fig. 60 - W. Buttner. "Cuida
tus dientes como tus armas". Óleo s/ tela. 1986
Fig. 61 - J. M. Basquiat.
"Tabaco". Acrílico s/ tela. 1984
Fig. 62 - Exposição
de K. Haring em Nova Iorque - 1983
Fig. 63 - K. Haring. Sem
título. Acrílico s/ tela.1984
Fig. 64 - J. Koons. "Anunciando
a banalidade". Madeira policromada. 1988
Fig. 65 - R. Longo. "Now
everybody". Técnica mista. 1982/83
Fig. 66 - James Turrell.
"Alien Exam". Desenho técnico para instalação. 1991
Fig. 67 - Gilbert &
George. "Gilbert & George I". Fotografia. 1987
Fig. 68 - R. Deacon. "Jogo
para dois". Aço galvanizado. 1983
Fig. 69 - Tela de Julião
Sarmento exposta em Madrid na "Arco 93"
FIg. 70 - Pedro Tudela.
Sem título. Óleo e grafite s/ papel montado em tela. 1994
Fig. 71 - R. Combas. Tela
exposta em Madrid na "Arco 88"
Fig. 72 - Eduardo Arroyo.
"Bigodes fascistas"-Pormenor. Tela exposta em Madrid na "Arco 89"
Fig. 73 - A. Fraille. "Trio
de seis". Óleo s/ tela. 1984/85
Fig. 74 - J. Bordes. Escultura
exposta em Madrid na "Arco 90"
Fig. 75 - J. Gopar. Escultura
exposta em Madrid na "Arco 90"
Fig. 76 - J. Munoz. "A place
called abroad". 1996
Fig. 77 - J. Turrell. "Alien
Exam". Instalação. 1991
Fig. 78 - Salomé.
"Zeitgeist IV". Resina artificial s/ tela. 1983
Fig. 79 - J. Schnabel. 1980
Sepia- artes plásticas / Fine arts |
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Sepia-
pintura Leonor Soares
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