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textos 1
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"A
guerra explodiu num contexto cultural que já tinha assistido, durante
a década de 30, à emigração de numerosos intelectuais
europeus para os Estados Unidos, com o consequente enriquecimento de conhecimentos
e a criação de novos estímulos para a cultura americana.
A essa emigração seguir-se-á, no final da guerra,
a deslocação substancial dos centros de valorização
da arte das capitais europeias para os grandes centros metropolitanos dos
Estados Unidos, a começar por Nova Iorque.
Por outro lado, a duração e a expansão geográfica
do conflito, bem como as suas consequências sociais e económicas,
permitem englobar no termo "segundo pós-guerra" uma extensão
temporal que vai desde o início dos anos 40 até ao final
do decénio.... Por fim, há que destacar a dimensão
trágica do conflito nas suas múltiplas manifestações,
que não terminaram com o lançamento da bomba atómica,
que iria influenciar nas consciências mais esclarecidas muito para
lá da contingência do facto isolado, como sinal do encerramento
definitivo de um ciclo da história da humanidade, pela consciência,
que então se teve, de que era possível destruir todo o planeta.
Se a estas premissas se juntarem as naturais dificuldades de mercado e
de efectiva capacidade material de agir, bem como os entusiasmos do pós-guerra
quanto à circulação de ideias e de conhecimentos,
facilitada pela reabertura das fronteiras tanto políticas como culturais,
ter-se-à a visão de um panorama bastante multifacetado, onde
se verifica a alternância de continuidade e inovação,
aberturas internacionais e defesa das tradições locais, dramas
do presente e projecções num futuro a imaginar e construir."
Sandro
Sproccati - Guia de História de Arte
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Na
primeira metade do século XX o conceito básico da arte contemporânea
e o conceito de vanguardismo estavam quase automaticamente ligados à
ideologia do progresso, característica da moderna sociedade industrial
que resultou da industrialização iniciada no séc.
XIX na Europa e E.U.A. e da qual Portugal esteve à margem, essencialmente
por razões (também políticas) conhecidas.
Daí
a continuação dos valores naturalistas nas artes plásticas
e dos valores revivalistas na arquitectura na transição do
séc. XIX para o XX e nos primórdios do séc. XX, da
penetração polémica e tardia do Cubismo e do Futurismo
na arte nacional a partir de 1915 (até mais acentuada no campo literário
- Pessoa/Álvaro de Campos, Raul Leal e Almada Negreiros, do que
no artístico onde Santa Rita funcionava bastante isolado) e do nosso
Surrealismo tardio em contraponto ao Neorealismo.
A 2ª Guerra Mundial traçou uma linha divisória na cultura
e na história de arte deste século, que conduziu além-fronteiras
ao chamado informalismo, ao movimento abstraccionista, ou expressionismo
abstracto nos Estados Unidos e a uma série de movimentos artísticos
daí derivados como Pop, Op, Instalações, ambientes,
New dada, Happening, Conceptualismo, Land Art, Body Art, e Vanguardas pós
anos 60 - Transvanguarda Italiana, Neo expressionismo, Novos Selvagens
Alemães, Nova Figuração, Pós modernismo.
Em Portugal apenas se deram tímidos passos na aproximação
a estas estéticas.
Nesta 2ª metade do século, nas artes plásticas portuguesas,
internacionalmente destacam-se nomes como Vieira
da Silva (com vida e obra em França e com uma pintura sem grande
evolução formal ao longo de várias décadas),
Nadir Afonso (com uma obra rigorosa e ìmatemáticaî), e Paula
Rego (radicada em Londres), com uma pintura verdadeiramente interessante
e pessoal, (embora possamos estabelecer logicamente paralelo com a obra
anterior de Ferdinand Hodler e contemporânea de Lucian Freud - mais
a nível expressivo e formal do que temático. Tematicamente
podemos encontrar paralelismo com Balthus).
Embra
com menor impacto internacional podem-se destacar também alguns
artistas promovidos nos anos 80 com uma obra com uma linguagem universalista
como Julião Sarmento, Cabrita Reis, Leonel Moura, José Pedro
Croft, Pedro Calapez, Pedro Proença, entre outros.
No nosso panorama artístico, destaco alguns nomes -dos que (se)expõem
regularmente - que considero importantes e com uma obra de grande solidez
e coerência intelectual e plástica, como António Dacosta,
Álvaro Lapa, Ângelo de Sousa, Júlio Resende,
Eduardo Batarda, João Dixo, Alberto Carneiro, Joaquim Rodrigo, Joaquim
Bravo, Jorge Martins, Álvaro Lapa, Graça Morais, e entre
os mais novos, Albuquerque Mendes, Pedro Tudela, Fernando José
Pereira, Márcia Luças, Isabel Padrão, entre muitos
outros.
António Carvalhal 2000, ©
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