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Introdução.     Enquadramento da Arte Contemporânea.     Enquadramento da Arte Portuguesa
  • O campo das expressões artísticas estende-se por variadas áreas, tendo como elo de ligação, o conceito de "ser um meio onde a comunicação e a expressão se produzem num contexto determinado de forma muito particular, elevado". As ideias, sensações, os factos, são "construídos" e veiculados aqui, de uma forma criativa, por meio de expressões originais e a mensagem caracteriza-se por ter uma forma rica de significações que ultrapassa as barreiras do tempo .

  •      Pode-se dizer, que não existiu nenhum povo ou civilização que não tenha deixado as suas marcas sob forma artística, quer nos objectos que produziu, na arquitectura, pintura, escultura, música, dança, literatura, etc.
     As razões básicas e subjacentes à criação de obras artísticas partem de respostas a necessidades. Estas necessidades podem ser de ordens variadíssimas, quer de ordem prática imediatista do quotidiano, ou ocupar-se de necessidades mais altas do intelecto ou do espírito, como a expressão de sentimentos e ideias.
  • O conceito de "história de arte" tal como o entendemos no nosso século é um fenómeno relativamente recente no tempo, tendo em conta a história de vida do homem no mundo. Muitos dos objectos de civilizações anteriores que serviam um fim puramente utilitário são hoje considerados arte. Tal facto deve-se à ideia agora consensual de que estes carregam uma carga de significações estéticas tal, que os remete para a área da arte. O que antes era considerado uma obra de um artesão ou de um feiticeiro indígena, com significações unicamente relacionadas com um fim prático de cumprir uma função nas tarefas do dia a dia ou nos rituais mágicos da tribo, converte-se agora em peça de museu e em obra artística.
  • Dentro das áreas de expressão visual modernas, pode-se referir a pintura, a arquitectura, escultura, design de equipamento e gráfico, desenho, fotografia, ilustração, cinema, televisão, vídeo, as técnicas de impressão (serigrafia, gravura, litografia, xilogravura), a cerâmica e o mosaico, e até a banda desenhada. Quer trabalhem sobretudo no domínio bidimensional ou tridimensional, são tudo domínios que utilizam os meios visuais na sua área de actividade. Embora com características, âmbitos e metodologias particulares, a todos portanto interessa o adestramento possibilitado pelo estudo dos mecanismos da percepção visual, das linguagens visuais em geral, da comunicação, da expressão, etc., pois a integração destes saberes permite a elaboração de obras mais conseguidas, com maior riqueza tanto ao nível estético como funcional.

  •         Este século vários estudiosos da comunicação visual levaram a cabo um levantamento e "análise" dos diferentes componentes da imagem e dos seus significados, na publicidade, na B.D., na fotografia, cinema, televisão, vídeo, cada um com as suas características próprias e as suas condicionantes, mas com um denominador comum: a utilização de signos visuais. Todos estes meios constituem o cenário da cultura actual. "A civilização" da imagem!
            A pintura, a escultura, a arquitectura, a publicidade gráfica, as publicações várias, a fotografia, o design gráfico e industrial, etc., todos se debruçam e reflectem sobre os aspectos relacionados com a sua linguagem.
            Para nos considerarmos "alfabetizados" temos que compreender os componentes básicos da linguagem escrita: as letras, as palavras, a ortografia, a gramática, a sintaxe. O que é possível expressar com estes poucos elementos e princípios da escrita é realmente infinito. Uma vez dominada a técnica, qualquer indivíduo pode produzir não só uma infinidade e variedade de soluções criativas para os problemas da comunicação verbal assim como também um estilo pessoal.
             Na base de tudo isto está a estrutura verbal básica. Alfabetização significa que todos os membros de um grupo compartilham o significado relacionado um corpo comum de informação.
             Leonor Soares, 1997 ©
     
     
     
     Enquadramento da Arte Contemporânea

    "A guerra explodiu num contexto cultural que já tinha assistido, durante a década de 30, à emigração de numerosos intelectuais europeus para os Estados Unidos, com o consequente enriquecimento de conhecimentos e a criação de novos estímulos para a cultura americana. A essa emigração seguir-se-á, no final da guerra, a deslocação substancial dos centros de valorização da arte das capitais europeias para os grandes centros metropolitanos dos Estados Unidos, a começar por Nova Iorque.
         Por outro lado, a duração e a expansão geográfica do conflito, bem como as suas consequências sociais e económicas, permitem englobar no termo "segundo pós-guerra" uma extensão temporal que vai desde o início dos anos 40 até ao final do decénio.... Por fim, há que destacar a dimensão trágica do conflito nas suas múltiplas manifestações, que não terminaram com o lançamento da bomba atómica, que iria influenciar nas consciências mais esclarecidas muito para lá da contingência do facto isolado, como sinal do encerramento definitivo de um ciclo da história da humanidade, pela consciência, que então se teve, de que era possível destruir todo o planeta.
         Se a estas premissas se juntarem as naturais dificuldades de mercado e de efectiva capacidade material de agir, bem como os entusiasmos do pós-guerra quanto à circulação de ideias e de conhecimentos, facilitada pela reabertura das fronteiras tanto políticas como culturais, ter-se-à a visão de um panorama bastante multifacetado, onde se verifica a alternância de continuidade e inovação, aberturas internacionais e defesa das tradições locais, dramas do presente e projecções num futuro a imaginar e construir."
      Sandro Sproccati - Guia de História de Arte
     
     
     

    Enquadramento da arte portuguesa na arte internacional

    Na primeira metade do século XX o conceito básico da arte contemporânea e o conceito de vanguardismo estavam quase automaticamente ligados à ideologia do progresso, característica da moderna sociedade industrial que resultou da industrialização iniciada no séc. XIX na Europa e E.U.A. e da qual Portugal esteve à margem, essencialmente por razões (também políticas) conhecidas.
    Daí a continuação dos valores naturalistas nas artes plásticas e dos valores revivalistas na arquitectura na transição do séc. XIX para o XX e nos primórdios do séc. XX, da penetração polémica e tardia do Cubismo e do Futurismo na arte nacional a partir de 1915 (até mais acentuada no campo literário - Pessoa/Álvaro de Campos, Raul Leal e Almada Negreiros, do que no artístico onde Santa Rita funcionava bastante isolado) e do nosso Surrealismo tardio em contraponto ao Neorealismo.
           A 2ª Guerra Mundial traçou uma linha divisória na cultura e na história de arte deste século, que conduziu além-fronteiras ao chamado informalismo, ao movimento abstraccionista, ou expressionismo abstracto nos Estados Unidos e a uma série de movimentos artísticos daí derivados  como Pop, Op, Instalações, ambientes, New dada, Happening, Conceptualismo, Land Art, Body Art, e Vanguardas pós anos 60 - Transvanguarda Italiana, Neo expressionismo, Novos Selvagens Alemães, Nova Figuração, Pós modernismo.
             Em Portugal apenas se deram tímidos passos na aproximação a estas estéticas.
            Nesta 2ª metade do século, nas artes plásticas portuguesas, internacionalmente destacam-se nomes como Vieira da Silva (com vida e obra em França e com uma pintura sem grande evolução formal ao longo de várias décadas), Nadir Afonso (com uma obra rigorosa e ìmatemáticaî), e Paula Rego (radicada em Londres), com uma pintura verdadeiramente interessante e pessoal, (embora possamos estabelecer logicamente paralelo com a obra anterior de Ferdinand Hodler e contemporânea de Lucian Freud - mais a nível expressivo e formal do que temático. Tematicamente podemos encontrar paralelismo com Balthus).
    Embra com menor impacto internacional podem-se destacar também alguns artistas promovidos nos anos 80 com uma obra com uma linguagem universalista como Julião Sarmento, Cabrita Reis, Leonel Moura, José Pedro Croft, Pedro Calapez, Pedro Proença, entre outros.
            No nosso panorama artístico, destaco alguns nomes -dos que (se)expõem regularmente - que considero importantes e com uma obra de grande solidez e coerência intelectual e plástica, como António Dacosta, Álvaro Lapa, Ângelo de Sousa,  Júlio Resende, Eduardo Batarda, João Dixo, Alberto Carneiro, Joaquim Rodrigo, Joaquim Bravo, Jorge Martins, Álvaro Lapa, Graça Morais, e entre os mais novos, Albuquerque Mendes, Pedro Tudela,  Fernando José Pereira, Márcia Luças, Isabel Padrão, entre muitos outros.
                     António Carvalhal 2000, ©
     
     

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