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Fundação Calouste Gulbenkian . Serviço de Educação . IDE - Investigação e Desenvolvimento Estético
2 textos - 14.5.1999. Actualizado em 21.5.2001
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1- Investigação e
Desenvolvimento Estético - Artigo IDE- NOESIS 2 (Lisboa,
15 Novembro 1998) - João Pedro Fróis - Serviço de
Educação - Fundação Calouste Gulbenkian - Elisa
de Barros Marques, Investigadora do Projecto IDE
2- Jornal do CAI - Primeiro
Olhar - Programa Integrado de Artes Visuais (POPIAV)
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João Pedro Fróis
Serviço de Educação
- Fundação Calouste Gulbenkian
Elisa de Barros Marques
Investigadora do Projecto IDE
Investigação e Desenvolvimento
Estético
O Serviço de Educação
da Fundação Calouste Gulbenkian assumiu desde sempre um papel
significativo relativamente às questões da Educação
Artística. O Centro Artístico Infantil - CAI tem agora quatorze
anos, mas a sua existência remonta no dizer da sua coordenadora,
Natália Pais, desde há pelo menos trinta anos, lembrando
que este percorreu caminhos nos passado que o fizeram avançar com
mais segurança no presente e futuro. O seu nascimento situa-se me
1956, aquando da criação da Fundação Calouste
Gulbenkian. Definia-se, através do seus estatutos que esta iria
servir fins no âmbito da arte, da solidariedade social, cultura,
ciência e educação. Nesta época findava a primeira
metade do século XX, havia como uma saturação de modelos
culturais estáticos. O movimento da Escola Nova exerceu uma enorme
influência, através da implementação de métodos
activos, a valorização do «aprender fazer», preparando
as grandes mudanças ocorridas na nos anos sessenta. De 1957 a 1967
a Fundação Gulbenkian procurou nesta perspectiva de mudança
promover iniciativas que concretizassem formas dinâmicas de intervenção
no campo educativo e cultural. É na década de sessenta, que
se iniciam os primeiros passos para a concretização da ideia-projecto
anteriormente esboçada no sentido de abrir perspectivas para que
- a educação pudesse ser vista como um fim em si
mesma e não exclusivamente como um meio (Natália Pais,
1992). Nesta época são igualmente conhecidos os efeitos a
nível educacional do movimento social que pela primeira vez punha
em causa a escola como instituição intocável, sublinhando-se
a importância do aprender para além da escola e de pensar
a educação numa perspectiva mais social. É deste contexto
sócio político e filosófico, que as ideias iniciais
ganham forma definitiva na criação de um Centro Artístico
Infantil - identificando-se este como um ponto de referência onde
a experiência pedagógica, a expressão artística
e a vivência cultural se dimensionam na relação educador
- artista de modo dinâmico. O seu processo de construção
inicia-se de uma forma cautelosa e progressiva com o projecto dos monitores
de expressão musical e aulas de iniciação musical
para crianças que serviam para demonstrar a aplicação
das metodologias apreendidas pelos monitores. Em 1986 iniciou-se o Curso
de Expressão Plástica. Neste processo de inovação
permanente o Serviço de Educação iniciou em 1996 o
projecto denominado Investigação e Desenvolvimento Estético
- IDE, cujo objectivo principal se centra no estudo da educação
estética e artística na área das artes visuais.
A avaliação
das potencialidades do diálogo no desenvolvimento da capacidade
de produção e fruição artísticas e o
estudo de vários modelos de intervenção no desenvolvimento
da sensibilidade estética visual, suas implicações
nos vários contextos formativos e a elaboração de
metodologias de avaliação, são igualmente linhas orientadoras
das práticas que têm sido, desde então, propostas pelo
IDE. Uma das iniciativas para a consecução destas finalidades
é a elaboração do Programa Integrado de Artes Visuais
- Primeiro Olhar.
O Olhar e o Ver ? Percursos
O Primeiro Olhar formaliza
um estudo de investigação-acção, que visa responder
às necessidades de inovação e formação
no campo das práticas educativas na área das artes visuais,
através da conceptualização de um currículo
centrado em obras de arte. Interessa analisar e descrever o modo como este
currículo quando comparado com outras abordagens no domínio
da expressão plástica se repercute na educação
estética e artística das crianças. Destaca-se o papel
que as artes visuais assumem na educação fundamentado no
reconhecimento da sua importância para o desenvolvimento global do
ser humano na medida em que os juízos estéticos ao poderem
ser racionalmente justificados na relação com a obra de arte
colocam ao dispôr dados importantes para a compreensão do
seu significado. Para entrar no domínio da obra de arte é
necessário possuir um saber que lhe é intrínseco decorrente
dos elementos que a compõem e lhe facultam uma linguagem própria.
A familiaridade com a obra de arte pode facilitar um desenvolvimento de
atitudes analíticas e potenciar o pensamento divergente.
O programa desenvolve-se a partir da experiência dos ateliers de Expressão Plástica, Criatividade e o Computador do CAI e da incidência nos múltiplos aspectos da linguagem visual através do contacto com as obras de arte dos Museus da Fundação Calouste Gulbenkian.
De um primeiro olhar, sugerido pela série inicial de imagens do currículo subordinado ao tema duas famílias estilísticas Renascimento - Barroco, usando dois retratos - A Jovem de Domenico Ghirlandaio e Figura de um Velho de Harmenz Rembrandt, parte-se à descoberta da semântica do conteúdo plástico e narrativo destas e de outras obras - Fernando Pessoa - Heterónimo do pintor Costa Pinheiro, D.Quixote e os Carneiros de Júlio Pomar, Baixo Relêvo Egípcio, The Secret Agente de Jorge Molder, Espacilimitado de Nadir Afonso, Desdobragem de Eurico Gonçalves, Diana de Houdon, Maire de Calais de Auguste Rodin. Há intencionalidade na repetição e na diversidade das obras apresentadas ao longo das várias séries. Em cada um dos conjuntos as técnicas e as modalidades expressivas são diferentes. As imagens do topo de cada conjunto norteiam o diálogo e a função do subconjunto serve como ilustração do vocabulário e dos conceitos necessários para a análise das obras de arte principais. As características subjacentes a cada uma das séries elaboradas para cada um dos temas é fixada num roteiro de diálogo para os monitores. Como exemplo referiu-se a primeira série de imagens : Duas Famílias Estilísticas. As duas famílias escolhidas são as mais fortes. O Renascimento onde surge a nitidez do contorno e o Barroco onde este é diluído. Estão presentes duas características morfológicas contrastantes, a linha de contorno nítida e a sugestão de relevos através da iluminação. Coloca-se à esquerda da primeira imagem a mais antiga e a mais nitidamente contornada, o Baixo Relevo Egípcio. Em coluna utiliza-se mais vezes a arte moderna onde as técnicas são mais diversificadas. Assim é mais fácil falar da expressão da pincelada numa pintura gestual. Na vertical acentuam-se as características, as analogias e as diferenças morfológicas. Na horizontal acentuam-se as características temporais. Nas colunas procura-se utilizar obras do conjunto global, dando oportunidade para que apareçam nas várias séries. Cada série é assim entendida como um exercício para a compreensão dos elementos formais (plásticos) e da narrativa em sentido lato.
O currículo inclui
mais sete séries de imagens com distintas designações
: impulsividade do traço-mancha livre, sentido das proporções
e arabesco (figura humana/ pares), cor digitalizável - cores discretas,
apuramento da forma - encadeamento, volume e espaço, metamorfose
e metáfora e integração - cor.
O diálogo em torno
das duas obras do topo das séries em comparação com
as outras obras dos conjuntos e as actividades propostas nos ateliers e
museus, proporcionam a apreensão e a integração de
elementos facilitadores do pensamento visual e da evocação
de juízos de apreciação estética e artística.
Na elaboração das linhas orientadoras, roteiros das sessões,
faz-se uso do método comparativo centrado no encontro de semelhanças
e diferenças entre as obras. A comparação intencional
no contexto de cada série constituí a motivação
para o diálogo, proporciona a ilustração do vocabulário
dos elementos plásticos e da narrativa necessários à
descrição, análise, interpretação e
avaliação das obras de arte. As obras seleccionadas são
originárias do Museu Gulbenkian e Centro de Arte Moderna José
Azeredo Perdigão incluindo diversas modalidades expressivas. As
imagens e roteiros para os diálogos das sessões constituem
o suporte para o desenvolvimento de uma abordagem integrada sobre história
e crítica da arte, estética e criação artística.
As actividades nos ateliers e nos museus
Desenvolve-se um conjunto
de acções centradas na expressão artística,
que ao relacionarem as suas diferentes dimensões facilitam a expressão
estética visual. Os roteiros das sessões organizam um conjunto
de informações relativo à comparação
das diferentes obras de arte em estudo e incluem : o tema integrador,
dados biográficos dos artistas, modalidade de expressão,
elementos plásticos, elementos da narrativa, contexto histórico-cultural
e a produção plástica a executar pelas crianças.
Através do desenho, pintura, colagem, da utilização
das novas tecnologias de informação e dos diálogos
sobre descobrem novos meios de acção sobre os materiais plásticos.
O envolvimento das crianças
com artistas facilita a integração de vivências estéticas
e permite a elaboração de juízos sobre o processo
subjacente à criação artística e às
suas produções plásticas.
As actividades propostas
para a aprendizagem constituem organizadores da experiência estética
em diferentes dimensões do conhecimento, ao nível cognitivo,
emotivo, perceptivo e comunicacional. Os conteúdos apresentados
ao longo das sessões não são apenas objectos de aquisição,
mas tópicos para a reflexão da leitura desta e de outras
obras de arte seleccionadas. Esta metodologia pode conduzir a um exercício
intenso de argumentação decisivo para o desenvolvimento do
juízo crítico.
As visitas aos museus e as
acções de animação lúdico-pedagógica
que decorrem neste contexto enquadram-se no currículo desenhado
para as actividades dos ateliers. A par destas acções as
visitas possibilitam o contacto com as obras originais. Esta complementaridade
intencional, faculta às crianças a elaboração
de uma linguagem plástica específica, facilita a apreensão
de códigos e permite aceder à unidade de uma obra de arte.
O Primeiro Olhar desenvolve
competências de ordem estética visual de modo a que o sujeito
possa identificar critérios de qualidade estética e artística
e participe activamente na criação e recriação
plásticas. As crianças através do contacto com as
obras de arte aprendem a relacionar e mobilizam os elementos plásticos
(espaço, cor, textura, forma) e da narrativa. A familiaridade e
a imtimidade são factores que estão presentes nas diversas
formas de olhar e na aprendizagem do ver. A mediação educativa
entre a obra e o observador ao proporcionar relações entre
o ver, processo que mobiliza níveis de atenção, análise
e processamento da informação mais organizados, e o olhar
que se fundamenta numa dimensão livre da realidade da obra de arte
é neste contexto decisiva. O programa pretende assim tornar consciente
as potencialidades expressivas, e de simbolização das crianças
e simultaneamente desenvolver o desejo de aceder a uma primeira cultura
artística na área das artes visuais.
Equipa IDE - Natália
Pais, João Pedro Fróis, Elisa Marques, Rui Mário Gonçalves,
Maria Deolinda Cerqueira, Anabela Salgueiro, Antónia Grilo, Júlio
Marques.
| artigo : Jornal
do CAI
Primeiro Olhar - Programa Integrado de Artes Visuais (POPIAV) |
De la mar al percepto,
del percepto al concepto,
del concepto a la ideia
- Oh ! la linda tarea !
-,
de la ideia a la mar.
Y outra vez a empezar !
António Machado
Olha (...) olha,
ali a Jovem
- diz Marta, com admiração ao reconhecer o Retrato de uma
Jovem de Domenico Ghirlandaio na galeria do Museu Gulbenkian.(...)
Este
é o original e o outro é uma cópia (...) diz Francisco.
Estas são as reacções de crianças, que
desde Janeiro, frequentam as sessões do Primeiro Olhar - Programa
Integrado de Artes Visuais (POPIAV), em curso na Fundação
Calouste Gulbenkian.
Inspirado no modelo
Discipline-Based Art Education do Getty Education Institute for the Arts
e suportado pela prática dos Ateliers de Expressão Plástica,
Criatividade e os Computadores do Centro Artístico Infantil (CAI),
o Programa pretende desenvolver múltiplos aspectos da experiência
estética e artística nas artes visuais. A importância
das artes visuais na educação e o reconhecimento do seu significado
para o desenvolvimento global do ser humano constituem princípios
orientadores das acções iniciadas. Ver implica pensar. A
experiência estética e artística, consideradas como
fontes de conhecimento, ao poderem ser racionalmente justificados na relação
com a obra de arte, colocam dados importantes para a compreensão
dos seus significados e das formas como esse conhecimento é construído
pelas crianças. O aprofundamento da mediação estabelecida
entre a obra de arte e o fruidor é decisivo no programa. Acede-se
ao domínio específico da obra de arte através da familiaridade
com os objectos artísticos. As atitudes estéticas adquiridas
na infância e na adolescência são influenciadas por
indicadores socioculturais e psicológicos. Aprender a ver
implica o pensar crítico. Salienta-se que por si só
o contacto com a obra de arte não produz mudanças, esta aproximação
beneficia da mediação educativa, facilitando o ver-apreender,
o sentir e o fazer.
De um primeiro olhar,
sugerido pela série inicial de imagens do currículo subordinado
ao tema duas famílias estilísticas Renascimento/Barroco,
usando dois retratos - Jovem de Domenico Ghirlandaio e Figura
de um Velho de Harmenz Rembrant, parte-se à descoberta dos elementos
semânticos do conteúdo plástico e narrativo destas
e de outras obras de arte como : Fernando Pessoa-Heterónimo
do pintor Costa Pinheiro, D.Quixote e os Carneiros de Júlio
Pomar, The Secret Agente de Jorge Molder, Espacilimitado
de Nadir Afonso, Desdobragem de Eurico Gonçalves, Diana de
Hudon, Maire de Calais de Auguste Rodin.
O diálogo em torno
das duas pinturas do topo da primeira série (A Jovem e a Figura
de um Velho), em comparação com as outras do conjunto
e as actividades propostas nos ateliers e Museus, tem vindo a proporcionar
a apreensão da linguagem visual e a integração de
elementos facilitadores do pensamento visual e da evocação
de juízos de apreciação artística. O currículo
desenvolve-se a partir de um modelo apoiado na investigação-experiência,
envolvendo cerca de cinquenta crianças e respectivos professores
de escolas de Lisboa.
Os conjuntos de obras de arte (cerca de três dezenas) do Museu Gulbenkian e Centro de Arte Moderna, organizados em oito conjuntos temáticos, foram criteriosamente escolhidos pelo crítico de arte Rui-Mário Gonçalves e a conservadora do Museu Gulbenkian Deolinda Cerqueira. A série de obras do Museu Gulbenkian incluí pinturas, tapeçarias, gravuras, e esculturas, de vários géneros e lugares - Renascentistas e Barrocas, do Egipto, Japão e do Oriente islâmico. O conjunto de imagens do Centro de Arte Moderna integra pinturas, desenhos, gravuras e esculturas de artistas portugueses do século XX. As imagens e os roteiros para os diálogos constituem o suporte para o desenvolvimento das abordagens sobre história e crítica da arte, estética e a criação artística. Ao pertencerem ao acervo dos museus da Fundação Gulbenkian, todas as obras originais poderão ser vistas. As modalidades expressivas diversas - escultura, cerâmica, fotografia, pintura, tapeçaria, e a inclusão das várias correntes estéticas, facilitam a elaboração de diálogos pertinentes para o estudo dos elementos que constituem a obra de arte.
Em conformidade com os objectivos
do estudo, explicitados na edição anterior deste jornal,
colocam-se em prática um conjunto de programas centrados na expressão
artística (Atelier de Expressão Plástica e Criatividade
e os Computadores e POPIAV), relacionados nas suas diferentes dimensões
e facilitadores da expressão da sensibilidade estética visual.
Através de vários
meios, com as suas características próprias, por contraste,
desempenham , em nossa opinião, uma função epistemológica
considerável, auxiliares importantes para a estruturação
do Programa. Finalmente, o envolvimento dos professores neste projecto
constituí nota importante para a reflexão sobre as práticas
das artes visuais e sua importância na educação. Os
aspectos formativos emergentes potenciam a equipa do projecto esperando-se
no futuro o alargamento do programa em contextos diversificados de trabalho
(museus, escolas,etc) e respondendo assim à necessidade da
introdução de novos desenvolvimentos na educação
pela arte e para a arte em Portugal.
Sepia - educação em arte |
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Intervenções
plásticas de alunos em Escolas Secundárias
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