![]() |
![]() |
![]() |
![]() |
![]() |
![]() |
![]() |
Fotografia, "s.f. Arte de fixar, sobre uma chapa impressionável à luz, as imagens obtidas por meio de uma câmara escura."
|
|
|
|
| "Há
prazeres como fotografias. O que se toma em presença do ser amado
não é mais do que um cliché negativo; revela-se mais
tarde, quando estivermos em casa, quando encontrarmos de novo à
nossa disposição esta câmara escura interior, cuja
entrada está condenada a ver tanto do mundo."
Marcel Proust "O
trabalho mais importante do fotógrafo não é o de aprender
o manejo da sua câmara, nem o de revelar a película, nem de
fazer as provas. É o de aprender a ver com olho fotográfico,
quer dizer, aprender a contemplar o seu tema em termos adequados à
capacidade dos seus instrumentos e processos, para assim traduzir instantâneamente
os elementos e valores da cena escolhida na fotografia que se deseja criar."
"O
inimigo da fotografia é a convenção. A sua salvação
vem do experimentador que se atreve a chamar "fotografia" qualquer resultado
com meios fotográficos, com uma câmara ou sem ela."
|
"A
câmara é um instrumento que ensina a gente a ver sem câmara".
Dorothea Lange "A
fotografia é uma abstracção em que a sobriedade do
preto e branco faz concentrar a atenção sobre o conteúdo.
A cor é mais própria para a pintura."
"Só
no século passado e em parte deste, temos visto o mundo a preto
e branco. Mas o preto e branco foi somente uma limitação
técnica. O futuro da fotografia é a cor.
"A
câmara não tem senão um olho: a lente. Só pode
registar um fragmento do mundo visual. O fotógrafo leva com ele
o segundo olho. Este é o olho da selecção. O artista
tem ainda um terceiro olho: o olho da imaginação criativa.
Este terceiro olho é o que pode penetrar no nosso mundo interno".
|
"É
preciso fotografar sempre com o maior respeito pelo tema e por si próprio."
HenriCartier-Bresson "A
lente revela mais do que o olho pode ver".
"O
fotógrafo deveria aprender a trabalhar com um equipamento mínimo.
A câmara deveria converter-se numa extensão do nosso olho,
nada mais".
"A
câmara não necessita ser um recurso mecânico. Como a
pena, é tão boa como a pessoa que a utiliza. Pode ser o prolongamento
da mente e do coração".
"O
negativo é comparavel à partitura dum compositor; a cópia
é a sua interpretação".
"Se
eu pudesse contar uma história com palavras, não precisava
de andar com uma câmara".
|
Vilém Flusser - ENSAIO SOBRE FOTOGRAFIA - Para uma filosofia da técnica (Relógio D´água. 1998) 0n-line em 5-7-02
|
(excertos) Aparelho fotográfico - Brinquedo que traduz pensamento conceptual em fotografias. Autómato - Aparelho que obedece a um programa que se desenvolve ao acaso. Fotografia - Imagem tipo-folheto produzida e distribuída por aparelho. Fotógrafo - Pessoa que procura inserir na imagem informações imprevistas pelo aparelho fotográfico. Funcionário - Pessoa que brinca com o aparelho e age em função dele. Imagem - Superfície significativa na qual as ideias se inter-relacionam magicamente. Imagem técnica - Imagem produzida por aparelho. Imaginação - Capacidade de compor e decifrar imagens. Informar - Produzir situações pouco prováveis e imprimi-las em objectos. Instrumento - Simulação de um órgão do corpo humano que serve para o trabalho. Máquina - Instrumento no qual a simulação passou pelo crivo da teoria. Memória - Celeiro de informações. Objecto - Algo contra o qual esbarramos. Objecto cultural - Objecto portador de informação impressa pelo homem. Realidade - Tudo contra o que esbarramos no caminho para a morte, portanto, aquilo que nos interessa. |
..."Somos,
cada vez mais, operadores de rótulos, apertadores de botões,
"funcionários" das máquinas, lidamos com situações
programadas sem nos darmos conta delas, pensamos que podemos escolher e,
como decorrência, imaginamo-nos inventivos e livres, mas a nossa
liberdade e a nossa capacidade de invenção estão restritas
a um software, a um conjunto de possibilidades dadas à priori e
que não podemos dominar inteiramente. Esse é o ponto em que
a Filosofia de Flusser quer justamente intervir: ela quer produzir uma
reflexão densa sobre as possibilidades de criação
e liberdade numa sociedade cada vez mais programada e centralizada pela
tecnologia." ...
..."Do lado do receptor, a proliferação imensa de imagens técnicas resulta na predisposição da sociedade para um comportamento mágico programado. Os homens já não decifram as imagens como significados do mundo, mas o próprio mundo vai sendo vivenciado cmo um conjunto de imagens. Não sabendo mais servir-se das imagens em função do mundo, eles passam a viver em função de imagens, de modo que estas últimas, tradicionalmente encaradas como mapas, se transformam gradativamente aos seus olhos em biombos, cuja função já não é mais representar, mas mascarar o mundo"... Arlindo Machado, Introdução a ENSAIO SOBRE FOTOGRAFIA, de Vilém Flusser. |
Textos
|
|
|
|
|